Mentoring: uma poderosa ferramenta no auxílio ao desenvolvimento e retenção de talentos nas organizações.

“Se deres um peixe a alguém, ele comerá uma vez; se o ensinares a pescar, comerá toda a vida” (ditado popular)

 

Segundo Chip R. Bell, autor do livro Mentor e Aprendiz – Líderes Bem-Sucedidos Ajudam Seus Colaboradores a Crescer e se Adaptar, Editora M. Books, as organizações estão aprendendo que o crescimento dos colaboradores é a chave para a retenção dos talentos.

 

Um estudo mostra que 38% de todos os profissionais que não passam por um processo de Mentoring, em menos de um ano buscam uma nova oportunidade em um novo emprego. Estudos mostram ainda que os profissionais que passam pelo processo de Mentoring são promovidos mais rapidamente“, comenta Chip R. Bell.

 

A frase acima nos oferece o melhor argumento que justifica a prática desta poderosa ferramenta de gestão de pessoas de fundamental importância para combater a alta e intensa rotatividade de mão-de-obra, ocasionando perda do conhecimento adquirido, perda de produtividade, queda na qualidade dos serviços prestados, rupturas nas relações com os clientes, prejudicando a rentabilidade das empresas em função dos custos envolvidos com desligamentos e reposição contínua de pessoal.

 

Os impactos desta rotatividade são sentidos em todos os departamentos das empresas que perdem colaboradores, representados por atrasos, erros, reprocessamentos, retrabalhos e, principalmente, a perda do conhecimento adquirido.

 

Outra problemática que justifica um programa de MENTORING nas Organizações é o desnivelamento apresentado pelos gestores, principalmente os recém-promovidos, entre as competências técnicas, altamente especializadas e desenvolvidas e as competências, habilidades e atitudes gerenciais, menos desenvolvidas, acarretando processos de gestão empresariais equivocados e nem sempre focados nos resultados a serem atingidos pela empresa.

 

Isto ocorre devido a que, muitos gestores são originários de áreas técnicas (o que é tradicional e normal) sem preparo gerencial e que, por conta disto, não exercem na sua plenitude as funções gerenciais com eficácia em benefício da empresa.

 

A adoção do MENTORING pelas Organizações como instrumento de gestão de pessoas contribui para aumentar sua capacidade de retenção de novos colaboradores e acelerar de forma eficaz o desempenho de novos gestores dentro da empresa, promovendo o comprometimento e o engajamento de seus colaboradores às metas e objetivos da empresa, facilitando o aprendizado da cultura organizacional e melhorando continuamente a qualidade dos trabalhos e, consequentemente, o seu lucro na medida em que os mentorados melhoram seu desempenho e a qualidade de seu trabalho e promovam o aprimoramento contínuo dos processos, contribuindo, ainda, para minimização dos riscos de perda de conhecimento acumulado.

 

Lembramos que a palavra “Mentor” vem do grego e lembra a lendária figura do fiel escravo, de mesmo nome, a quem Ulisses entregou a educação do seu filho Telêmaco, ao partir para a Guerra de Tróia.

 

A revista americana Entrepreneur, com base no trabalho do professor Michael J. Freeman listou sete características fundamentais para um bom mentor. Confira:

  1. Desejo de ajudar
    O mentor precisa ter interesse e disposição para ajudar outras pessoas.
  2. Boas experiências
    Quem já passou por experiências positivas, sejam formais ou não, com um mentor tende a ser um bom conselheiro também.
  3. Reputação impecável
    Precisa ser uma pessoa experiente que tenha um histórico bom em ajudar as pessoas a desenvolver e aprimorar suas habilidades.
  4. Tempo e energia
    Esse ponto é essencial. Mais do que conhecimento, o mentor doa tempo. Por isso, ele precisa ter horas vagas e energia para dedicar ao relacionamento com o empreendedor.
  5. Conhecimentos atualizados
    As pessoas que mantém seus conhecimentos e habilidades tecnológicas atualizadas têm mais chances de serem mentores exemplares.
  6. Capacidade para aprender
    A pessoa precisa ser capaz de aprender e conseguir enxergar os potenciais benefícios da relação de mentoring.
  7. Demonstrar habilidades efetivas
    É muito importante que o escolhido tenha habilidades efetivas para aconselhar e também uma rede de contatos relevante.

 

(Fonte: https://exame.abril.com.br/pme/7-caracteristicas-fundamentais-de-um-bommentor/acessado em 22/05/2018)

 

Numa rápida analogia, ressaltamos que geralmente o MENTOR, nos dias de hoje, é um profissional sênior, líder, com reconhecida capacidade profissional e que atua como orientador de carreira, professor na sua especialidade, de conselheiro e até mesmo de protetor de outro profissional em sua ascensão dentro da Organização, sendo muito comum ser chamado de “meu mestre”, “meu guru”, ou mesmo, “meu mentor”.

 

Um exemplo de MENTORING bem sucedido no mundo empresarial no Século XX é o de Jack Welch que praticou a mentoria por dois anos nos três candidatos potenciais a substituí-lo na presidência da General Electric e quando se aposentou indicou um deles para seu posto, Jeffrey R. Immelt. Não é a toa que Jack Welch é considerado como o “Principal Executivo do Século XX”.

 

Em síntese, o MENTORING é um relacionamento profissional intenso, estruturado, sistematizado, focado, previamente pactuado entre duas pessoas no qual uma doa e outra recebe.

 

Por isso sua principal característica é a de ser um processo de transferência de conhecimento e como o conhecimento é o principal fator de vantagem competitiva entre as Organizações e como, também, são as pessoas que moldam a Organização, então… o exercício do MENTORING contribui firmemente para a competitividade das Organizações.

 

Por fim, entendemos que o MENTORING é um excelente instrumento de desenvolvimento de carreiras e capacitação profissional, por meio do qual se transfere conhecimentos e experiências de sucesso, se estimula o raciocínio crítico, se oferece padrões de responsabilidade e comportamento éticos, se molda atitudes e visão organizacional e contribui poderosamente para o desenvolvimento e retenção de TALENTOS nas Organizações.

Como já disse Galileu Galilei “Não se pode ensinar tudo a alguém, pode-se apenas ajudá-lo a encontrar por si mesmo”.

 

Então, vamos praticar o Mentoring?

Sérgio Lopes

(*) Mestre (Metodista) e graduado em Administração (USP), experiência profissional de 50 anos, ocupou cargos executivos nas áreas de Organização, Sistemas e Tecnologia da Informação em empresas de diferentes portes e segmentos econômicos, sendo que nos últimos 38 anos tem atuado como Educador em cursos de capacitação profissional e superiores, de graduação e pós-graduação e como Consultor Empresarial com foco em Qualidade, Organização e Planejamento Empresarial, Gestão de Mudanças e Recursos Humanos. Palestrante e Autor de artigos sobre gestão de mudanças, empresas e pessoas, publicados em jornais, revistas e sites da Internet. Membro do Grupo de Excelência em Ética e Sustentabilidade do CRA/SP. Participa de ações de voluntariado junto a Instituições de Ensino Superior e Entidades de Classe.

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