Fake News: Como as notícias falsas podem prejudicar a sua empresa?

 

O fenômeno das Fake News

Durante a campanha eleitoral de 2016, nos Estados Unidos, os simpatizantes de Trump decidiram boicotar todos os produtos da PepsiCo. Qual o motivo? Por conta de uma declaração que a CEO da empresa nunca fez.

 

Em meados de novembro de 2016, informações se espalharam rapidamente nas redes sociais afirmando que Indra Nooyi disse aos fãs de Trump para “comprar os produtos da marca em outro lugar”.

 

Acontece que isso nunca foi dito!

 

Isso demonstra que as Fake News não são uma brincadeira e trazem consequências reais para a sociedade, organizações e pessoas.

 

É público e notório a morte de uma mulher em 2014, na cidade de Guarujá, em São Paulo, que foi espancada após boatos em rede social de que ela sequestrava crianças para utiliza-las em rituais de magia negra.

 

Fake News é definida pelo jornalista Marc Amorós, como uma informação falsa que se espalha com aparência de notícia real, para que acreditemos nela e que tem um objetivo. Sem objetivo não há Fake News. Basicamente são dois: ou econômico, quando se procura ganhar dinheiro; ou ideológico, quando se procura manipular, difundir ou transmitir a um segmento da sociedade uma ideia relacionada com um objeto, uma pessoa ou uma política.

 

Outras caraterísticas das Fake News são: o poder e a capacidade viral que têm, em comparação com as notícias reais. Segundo um estudo realizado por investigadores do Massachusetts Institute of Technology/MIT, em que foram analisadas 126.000 histórias do Twitter partilhadas por 3 milhões de pessoas entre 2006 e 2017, as Fake News têm uma probabilidade 70% superior de serem retransmitidas e são pessoas reais (e não robôs), os responsáveis pela propagação destas informações.

 

As atuais ferramentas tecnológicas que estão ao alcance de todos tornam a criação de Fake News muito fácil. Bastam um pouco de conhecimento, um pouco de graça para criar a notícia, recursos de photoshop para manipular uma fotografia e um software que permita colocar na boca de alguém declarações que nunca proferiu. Cada vez é mais difícil detectar o que é verdadeiro e o que é falso.

 

Para além da política: A Fake News também é uma ameaça para a sua empresa.

É bem conhecida a incidência que as Fake News tiveram na esfera política com a vitória de Donald Trump ou a campanha pró-Brexit no Reino Unido, que se converteram num ponto de viragem da nossa história recente.

 

As Fake News não são um fenômeno transitório, mas uma tempestade perfeita trazida pela tecnologia e que não se vai dissipar nos próximos anos. A empresa americana de consultoria em tecnologia Gartner assegura, no seu relatório Previsões Tecnológicas para 2018, que em 2022 os cidadãos das economias desenvolvidas consumirão mais informação falsa do que verdadeira.

 

Alerta também para o fato de que, para além do impacto político e mediático que tiveram em 2017, as notícias falsas representam um grave problema para as empresas. As empresas não só devem controlar de perto o que se diz diretamente sobre as suas marcas, como também quais os contextos em que se fala das suas marcas, para garantirem que não estão associadas a conteúdos que possam ser prejudiciais para o valor da marca.

 

E como as empresas estão se preparando para lidar com esse fenômeno?

 

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial /Aberje avaliou como 52 empresas nacionais e internacionais encaram o fenômeno da disseminação de mentiras on-line.

 

Segundo o levantamento, os principais receios das organizações são danos à reputação da marca (91% dos entrevistados), prejuízos à imagem da empresa (77%), perdas econômico-financeiras (40%) e credibilidade da companhia (40%).

 

As Fake News preocupam 85% das empresas. Apesar disso, 67% delas não tratam o assunto como um tema estratégico, e apenas 20% dizem ter estruturado departamento interno ou contratado serviços externos para acompanhar o assunto. Esses indicadores demonstram que apesar da preocupação das empresas, pouco tem sido feito de concreto para se preparar adequadamente para os eventuais riscos causados pelas Fake News.

 

Para continuar aprofundando neste assunto e conhecer quais as melhores estratégias para as organizações se prepararem para combater as noticias falsas aguarde o nosso próximo artigo que será publicado em breve.

 

Quer entender como notícias falsas podem afetar o seu caso particular ou como montar uma estratégia de monitoramento? Entre em contato com o Studio Estratégia (www.studioestrategia.com.br) e teremos o prazer de ajudar.

(*) Fábio Riserio.

Graduado em Relações Públicas, com Pós-Graduação em Comunicação Empresarial, Gestão de Sustentabilidade e Inteligência de Mercado. Profissional com mais de 18 anos de experiência, atuando na gestão das áreas de comunicação, integridade e sustentabilidade em organizações, como Cielo, Instituto Ethos e Grupo Promon. É desde 2016, sócio-diretor da empresa Além das Palavras: Negócios Éticos e Sustentáveis, consultoria que atua no engajamento estratégico dos temas de comunicação, gerenciamento de crises, integridade e sustentabilidade, em organizações, como a Nova Engevix Participações, Fundação Alphaville e Câmara Brasileira da Indústria da Construção/CBIC. Ministra também a disciplina de Ética Empresarial e Negócios e Organizações Sustentáveis na Fundação Dom Cabral.

 

REFERÊNCIAS

1) http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2014/05/mulher-espancada-apos-boatos-em-rede-social-morre-em-guaruja-sp.html, acessado em 10/08/2018
2) https://www.elcultural.com/noticias/letras/Fake-News/11776
3) http://news.mit.edu/2018/study-twitter-false-news-travels-faster-true-stories-0308
4) https://www.gartner.com/smarterwithgartner/gartner-top-strategic-predictions-for-2018-and-beyond/

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