A Gestão do Conhecimento como uma vantagem competitiva duradoura nas Organizações: algumas sugestões para melhoria da Competitividade de sua Organização

“A única vantagem sustentável que uma empresa tem é aquela que ela coletivamente sabe, a eficiência que ela usa o que sabe e a prontidão com que ela adquire e usa novos conhecimentos”. (Davenport & Prusak)

 

Estamos vivendo numa época turbulenta, com constantes mudanças de paradigmas e grandes transformações no mercado de trabalho, cobrando dos profissionais, cada vez mais, o desenvolvimento de novas competências e a construção de novas habilidades.

 

São reflexos da globalização da economia que, em sua escala quântica, vem exigindo das Organizações flexibilidade nos negócios, constantes reduções de custos, melhoria contínua de qualidade e permanente inovações em processos e produtos.

 

Presenciamos e por vezes protagonizamos a inclusão dos recursos da Internet nos negócios e nos relacionamentos pessoais, por meio dos mais variados recursos, tais como: e-commerce, e-business, e-mail, WhatsApp, Instagram, chats, LinkedIn, Facebook e outros tantos aplicativos que são lançados no mercado quase que diariamente numa escalada de facilidades virtuais que colocam o mundo, literalmente, em nossas mãos.

 

Observamos a evolução dentro das Organizações, da comunicação corporativa interna informal, muitas vezes precária ou inexistente, para avançados sistemas de comunicações baseados em multimídias veiculando as informações internas em tempo real, ampliando seu acesso e sua divulgação.

 

Acompanhamos o aumento das exigências individuais e coletivas quanto à qualidade de vida no trabalho, a crescente presença da ética e da responsabilidade social nas relações das Organizações com a comunidade, com o meio ambiente e com seus colaboradores e o processo de fortalecimento do conceito foco no cliente e no mercado.

 

Vivenciamos a experiência do cliente, o desafio de encantá-lo e não mais apenas satisfazê-lo e a permanente busca da excelência no atendimento, agora sob a tutela do Customer Success, um termo que pode ser traduzido como “sucesso do cliente” que começa a despontar como mais uma das preocupações das Organizações em entregar aos seus clientes aquilo que efetivamente os deixa mais que satisfeitos, os deixa felizes, por terem tido sucesso em suas aquisições.

 

Entretanto, entendemos que sem a valorização da equipe; sem o reconhecimento dos resultados coletivos em detrimento do enaltecimento do desempenho individual; sem a transformação do fatídico e superado chefe em um exemplar e moderno líder que atue como um facilitador; sem a mudança do modelo de gestão, passando de um ultrapassado e rígido modelo hierárquico-funcional para um modelo flexível, dinâmico e interativo no qual todos os colaboradores interagem entre si de forma sinérgica focando num só objetivo que é o sucesso do cliente os resultados ficarão aquém do desejado.

 

No cenário de negócios que acima delineamos e com o acirramento da concorrência e a permanente busca de vantagens competitivas duradouras as Organizações precisam se reinventar constantemente e colocarem em prática, a todo o momento, o que sabem e aprenderem rapidamente o que ainda não sabem para se manterem competitivas no mercado.

 

Dentro deste contexto organizacional e para enfrentar e vencer os desafios de mercado que enfrentam as Organizações necessitam de profissionais com perfil colaborativo e que agreguem valor ao seu negócio por meio do exercício de suas competências, habilidades e atitudes e uma das atitudes mais importantes é a de compartilhamento de conhecimentos, ou seja, a disposição de ensinar o que sabe e aprender o que não sabe.

 

E o que é o conhecimento ao qual nos referimos? De modo resumido, podemos defini-lo como sendo a informação aplicada, o saber fazer e sobre o qual Peter Drucker se referiu da seguinte maneira: “Na sociedade moderna de empreendimentos e administração, o conhecimento é o primeiro recurso e a verdadeira riqueza da sociedade” enquanto o Consultor Marco Aurélio F. Vianna, do Instituo MVC, escreveu em seu artigo “Capital intelectual, um futuro que já chegou”, em 2006, publicado no site www.guiarh.com.br, que “Neste novo milênio vai valer acima de tudo a agregação de valor e a geração de riqueza contidas nos cérebros das pessoas”.

 

Conceitualmente podemos dizer que “Gestão do Conhecimento é um processo sistemático, articulado e intencional, apoiado na geração, codificação, disseminação e apropriação de conhecimentos, com o propósito de atingir a excelência organizacional”. (Oliver, 2010, p. 140, citado em “A gestão do conhecimento e a gestão da informação: um modelo de gestão nas empresas”, disponível em https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/administracao/a-gestao-conhecimento-gestao-informacao-um-modelo-.htm, acessado em 07/10/2018).

 

Considerando que quem detém o conhecimento nas Organizações são as PESSOAS que ali trabalham, entendemos que cabe, sob esta ótica conceitual, às Organizações gerenciar o conhecimento visando transformar o conhecimento tácito (pessoal) em explícito (organizacional) tornando-o acessível e útil para todos e criando as condições suficientes e necessárias para que este conhecimento compartilhado se multiplique e contribua para aumento de sua competitividade.

 

Sabemos que um dos grandes desafios da gestão do conhecimento organizacional é promover o compartilhamento do conhecimento tácito; pois, ele não está documentado, organizado ou catalogado; visto estar na cabeça das pessoas, sendo que para vencer este desafio as Organizações adotam as mais diversas estratégias, tais como: incentivo às relações de aprendizagem; criação de comunidades de práticas; mapeamento dos conhecimentos, das habilidades e das competências de seus colaboradores; implantação de programas e ferramentas da qualidade; incentivo às ideias criativas e inovadoras e criação de suas Universidades Corporativas.

 

Especificamente no âmbito da Gestão de Pessoas, algumas ações que podem ser implantadas pelas Organizações visando impulsionar e incentivar o compartilhamento dos conhecimentos entre seus colaboradores são:

  • O enriquecimento dos cargos tornando-os multifuncionais;
  • A adoção do “training in the job”, promovendo o treinamento no local de trabalho;
  • A prática do “job rotation” por meio de mobilizações e rodízios entre seus colaboradores;
  • O incentivo a prática formal e sistemática do Mentoring;
  • A delegação de autoridade como forma de empoderamento de seu pessoal permitindo que as decisões sejam tomadas próximas aos fatos que as exigem;
  • O reconhecimento, valorização e premiação dos resultados do trabalho em equipe; e
  • Adoção de técnicas e ferramentas coletivas de análises de problemas e tomadas de decisão, tais como: o PDCA, o KAIZEN, o GUT e outras ferramentas típicas de Gestão da Qualidade.

 

Por fim, entendemos que a Gestão do Conhecimento nas Organizações atualmente se tornou mandatória e se transformou em um dos pilares de seu sucesso; pois, praticando a Gestão do Conhecimento as Organizações conseguem:

  • Aumentar sua capacidade competitiva;
  • Dominar novas habilidades/competências dentro de um ambiente em permanente mutação;
  • Proporcionar amplo entendimento do negócio;
  • Se preparar para o futuro;
  • Desenvolver e preparar sucessores para os postos estratégicos; e
  • Criar sinergia e melhorar o desempenho da equipe.

 

Iniciamos nosso artigo com uma frase de Davenport & Prusak e gostaríamos de concluí-lo com outra significativa frase dos mesmos autores, para a qual chamamos sua atenção e o convidamos à reflexão:

“A maneira como as empresas geram e transmitem o conhecimento é parte essencial de sua continuidade” (Davenport & Prusak)

Sérgio Lopes

(*) Mestre (Metodista) e graduado em Administração (USP), experiência profissional de 50 anos, ocupou cargos executivos nas áreas de Organização, Sistemas e Tecnologia da Informação em empresas de diferentes portes e segmentos econômicos, sendo que nos últimos 38 anos tem atuado como Educador em cursos de capacitação profissional e superiores, de graduação e pós-graduação e como Consultor Empresarial com foco em Qualidade, Organização e Planejamento Empresarial, Gestão de Mudanças e Recursos Humanos. Palestrante e Autor de artigos sobre gestão de mudanças, empresas e pessoas, publicados em jornais, revistas e sites da Internet. Membro do Grupo de Excelência em Ética e Sustentabilidade do CRA/SP. Participa de ações de voluntariado junto a Instituições de Ensino Superior e Entidades de Classe.

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